quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Vou contar uma historia de amor,

do poema nasceu,
de versos formados,
antes de nos.

de linhas e linhas de amor,

um jovem pela alma velha se apaixonou.

os olhos cansados de tanto ver,
no fresco ar de menino se encantou.
a velha riu frente ao poema com o qual ele a desafiou,

sou e não sou o que diz que sou,
pra você sou tantas,
e te cubro de amor,

para um sonho tranquilo
te recito a noitinha,

"te amo hoje mais do que ontem
e menos do que amanha"

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Árvore da Cidade

Era uma arvore muito bela,
com sombra, com força,
aos 70 anos chegou na minha janela.
pesada ela furou um cano.

Por cinco dias a água vazou,
inundou a rua,todos culpavam ela.
a prefeitura chegou e lhe tirou a raiz,
A velha arvora resistiu o que pode,
mas no dia seguinte caiu.

Eu nem sabia que gostava tanto dela.
mas ve-la aos pés dos homens me fez chorar.
"Como dá trabalho" disseram.
"estava muito grande", "atrapalhava"
E eu só chorava.

E hoje sem ela, escuto os sons da rua,
sinto a poluição entrar,
isso sem falar,
que mantenho o dia todo a cortina fechada.

Ela estava aqui antes de mim,
estava antes do meu pai nascer,
ela já viu bondes passarem,
viu os carros mudarem.

Não eu não chorei pelo comodismo que ela me dava.
Eu chorei pela forma como foi tratada.
Nem uma idosa é respeitada?

em 24h resolveram o problema,
não vaza mais água.
fecharam o buraco.
Mas e aquele no meu coração?

Nem uma mudinha plantaram,
só fecharam.
como se nunca tivesse havido uma árvore ali.
como se eu nunca tivesse enterrado meu peixinho
aos seus pés.

E o vazio do cano,
E o vazio da arvore,
E o vazio da rua,
mora agora aqui, comigo.

Queria ter uma foto dela.



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ode a

Eu achei que a vida era fácil,
quem pode me culpar?
Toda criança pensa:
"deve ser fácil nadar".
E agora eu pergunto,
Cadê o fundo do mar?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ao ceu

Hoje eu tive saudade de você
de te pegar no colo
te apertar

saudade do seu pelo ralo,
das suas patinhas ,
dos seus saltos,

saudade de te ver,
que saudade de te ter.

ai meu amorzinho,
esteja bem.

08/12/2014, em um papel todo molhado.

aMar

Eu sigo e sigo,
a água abre seu caminho
- ou apenas segue o que aparece.

com a fé abalada,
só falo na tristeza,
mania de escrever sobre dor

anos e anos
e a mesma dor mora lá.
me despedi de tanta magoa,
me desfiz de não-amores

e a dor ainda mora cá.

desisti de sonhos bobos,
não nasci pra ser a dois,
sozinha ainda sigo rumo ao mar.

escrevo pra não expor minhas dores,
releio pra relembrar,
revejo meus desamores

e ainda penso em um dia voar.
no mar não sinto as lagrimas,
se misturam com minhas assas,
no fim eu sempre chego em casa.

os peixes já podem me visitar.



sexta-feira, 14 de março de 2014

te(n)são

na nossa ultima noite
você me beijou demais
já sabia?

não teve riso,
mais teve graça,
elegância do movimento

o tesão depois a tensão
a atenção não tive mais
pode ir, vá em paz.


deixo você me deixar

deixe-me com meus pensamentos
deixe-me em silencio

calada eu não deixo de falar
grito mas alto
do que você pode berrar!
deixe-me me amar

deixe-me com meus livros
deixe-me em paz

não fale mal da solidão,
chega de criticar a escuridão,
eu comigo mesma,
um solo em mim,

deixe-me sozinha
deixe-me passar